Você sabe como funciona o seu relógio biológico?

Redação

Entenda como a luz do sol e o brilho da tela do celular podem afetar a sua saúde

Quando a luz do sol entra pela janela do seu quarto, seu organismo entende que é o momento de se levantar e começar as atividades do dia. Da mesma forma que as baterias de lítio alimentam o despertador do seu celular, a luz do sol comanda o seu relógio biológico. Trata-se do mecanismo responsável por controlar e organizar o funcionamento dos seus órgãos vitais e do seu metabolismo.

Movimentos de rotação e translação da Terra. Durante as 24 horas do dia, a Terra gira em volta de si. E, ao longo do ano, o nosso planeta faz a volta ao redor do Sol.

O tempo desse nosso relógio interno é organizado de acordo com o movimento de rotação da Terra em volta de si, com duração de aproximadamente 24 horas, e o de translação, isto é, o movimento que a Terra faz ao redor do Sol, durante os meses do ano.

É de acordo com esse tempo que as atividades do nosso organismo são construídas e adaptadas. Por exemplo, a hora que sentimos fome, sono e até mesmo as variações de temperatura corporal, que fazem com que tenhamos algumas ondas de calor ou frio ao longo do dia.

Esse período, que dura cerca de um dia, é conhecido como Ciclo circadiano e a alteração da iluminação natural. Ou seja, a luz do sol orienta o nosso organismo na disposição das necessidades.

“A iluminação do ambiente guia vários ciclos biológicos em nosso corpo maior, sendo mais conhecido o ciclo circadiano (cerca de um dia) e o ciclo sazonal (dias longos no verão e noites longas no inverno). Proteínas fotossensíveis em nossas retinas reconhecem a variação da luz disponível ao longo do dia. Nosso organismo consegue interpretar essa alteração e preparar todos os relógios para um bom funcionamento.”, é o que explica Douglas de Araújo Vilhena, psicólogo e coordenador do Laboratório de Pesquisa Aplicada à Neurovisão (LAPAN).

O sol orienta nossas atividades

Visando a entender como o nosso organismo captura a iluminação para identificar o momento ideal para fazer cada coisa, vamos começar pelos olhos.

As células na retina percebem a variação da iluminação no ambiente; portanto, quando o dia amanhece, capturamos comprimentos de luz próximos ao tom de azul, cujo pico ao meio dia, provocam em nosso corpo uma sensação de despertar e ativar.

À medida que o dia vai passando, e as horas avançando no relógio da Terra, a iluminação natural ganha comprimentos em tons de vermelho. Essa tonalidade começa a nos sugerir a redução do nosso ritmo e a nos preparar para a hora de dormir.

As sensações de despertar e desacelerar são provocadas porque as células que captam a iluminação na retina se comunicam com uma parte do nosso cérebro chamado de núcleo supraquiasmático. É ele quem organiza o nosso relógio biológico, bem como o funcionamento, hora a hora, do nosso organismo.  

E, quando recebe as informações, principalmente pela iluminação do ambiente, o núcleo supraquiasmático dispara sinais para o nosso corpo do que ele deve fazer, como, por exemplo, a hora de dormir e a de ficar acordado.

Novas iluminações, novos relógios biológicos

Além da iluminação natural, isto é, a do Sol e da Lua, estamos expostos a outros tipos de iluminação. Seja através da tela do computador, do celular, do tablet, seja até mesmo através das novas lâmpadas de LED, a realização de atividades com iluminação artificial pode afetar o nosso organismo. Douglas explica que a iluminação artificial também afeta o nosso Ciclo circadiano:

“Ao longo do dia, recebemos diferentes comprimentos de luz, em tons de azul e vermelho. Com a luz artificial, ficamos ainda mais expostos a comprimentos parecidos com os da luz natural. A iluminação de LED, por exemplo, apresenta uma escala de cores parecida com a iluminação que recebemos ao meio-dia”.

Esse tipo de exposição pode causar confusão em nosso relógio biológico. Quando você acende esse tipo de lâmpada ou liga a tela de um celular – também feita desse material – no meio da madrugada, o seu organismo passa a entender que é hora de despertar.

Existe um relógio biológico para cada pessoa?

Apesar da grande exposição à frequência da luz solar, cada pessoa apresenta um horário para realizar as suas necessidades fisiológicas. Cada organismo funciona de uma maneira distinta.

A fim de que possamos entender melhor, vamos dividir as pessoas em dois grupos distintos: os matutinos e os vespertinos. Os matutinos são aqueles que acordam cedo e dormem cedo. Já os vespertinos dormem e acordam mais tarde. Com isso, a função do organismo dessas pessoas é diferente, ou melhor, algumas necessidades aparecem mais cedo, outras mais tarde, como, por exemplo, a fome na hora do almoço.

Outro ponto que pode ser diferenciado entre as pessoas matutinas e as vespertinas é a alteração em relação à temperatura corporal. Geralmente, de madrugada, entre 3 e 4 horas, grande parte da população sente mais frio, resultado de uma queda na temperatura corporal, comum nas pessoas matutinas. Já as vespertinas sentem essa queda por volta de 5 e 6 horas da manhã.

A iluminação pode afetar o seu horário de dormir?

O núcleo supraquiasmático influencia o nosso corpo para se preparar para dormir. Para isso, ele aciona outras áreas do nosso cérebro, dentre elas, a produção de hormônios, inclusive a daquele que determina a hora de dormir.

É o núcleo supraquiasmático que informa para a glândula pineal quando a luz do ambiente diminui. E quando isso acontece, ao cair da noite, essa glândula é ativada liberando um hormônio chamado melatonina.

A melatonina é um marcador endógeno entre dia e noite e não pode ser considerado o hormônio do sono, propriamente dito, ou seja, ele está associado ao sono. Quando ela é liberada, o nosso corpo entende que está chegando a hora de dormir.

Como é possível perceber, o nosso organismo funciona de acordo com a iluminação do nosso ambiente. É importante respeitar o horário do relógio biológico para beneficiar o seu corpo com um bom funcionamento.

E, por falar em bom funcionamento, você sabe quantas horas de sono são necessárias em cada fase da vida? Você está dormindo muito ou pouco? Veja os riscos.