Visão, o mais poderoso dos sentidos

Alysson Lisboa

Seja para ir ao espaço, seja para ler dados no computador, a visão é, dentre os cinco sentidos do corpo humano, o mais importante. Aqui no Brasil, José Luiz Carneiro, bancário aposentado e morador da cidade de Santo Antônio do Amparo, no oeste do Estado de Minas Gerais, foi percebendo piora gradual em sua qualidade de visão ao longo dos anos.

A partir dos 19 anos, passou a usar óculos para miopia – fator de risco para o desenvolvimento de glaucoma. Aos 33, foi submetido a uma cirurgia refrativa, deixando de lado os cuidados com os olhos. Aos 50 anos, começou a sentir uma piora na visão e, próximo de se aposentar, ele imaginou que fossem sintomas relacionados à vista cansada e à idade. “Quando estava perto de me aposentar e fazia qualquer atividade no computador, precisava sempre chegar bem perto da tela. Aí, trocava os óculos e achava que isso era normal, mas não era”, conta José Luiz.

 

O bancário aposentado José Luiz Carneiro acreditou que tinha perdido a visão para sempre

 

Em 2006, já com 55 anos, ao realizar o exame para renovação da carteira de motorista, José recebeu da oftalmologista do Detran um alerta: a carteira seria renovada, mas sua visão estava comprometida, e ele deveria procurar um especialista para ser diagnosticado e tratado. José Luiz prometeu, mas não cumpriu.

Dez anos depois, em dezembro de 2016, outra vez no Detran, ao realizar novo exame para a renovação da carteira, recebeu a negativa. Sua visão já estava muito afetada pela combinação de duas degradações visuais: a catarata e o glaucoma. Desta vez, ele procurou um especialista. Na consulta, ouviu do médico o seguinte: “O senhor está ficando cego, já perdeu quase toda a visão e não adianta tentar renovar sua carteira de motorista. O senhor não consegue mais não. É isso que eu tenho para dizer ao senhor”.

Sem esperanças, José Luiz vendeu o carro e deixou de sair de casa. A acuidade visual estava tão debilitada que nem a cor do céu ele conseguia ver. A família demorou a perceber. A filha de José, Sabrina Carneiro, explica: “Como não reclamava, a gente achou que ele ficou mais recluso porque quis, depois que se aposentou”.

 

Sr. José Luiz Carneiro e a filha, Sabrina Carneiro Machado

 

Quando José já estava ficando depressivo, sentindo-se incapaz e dependente, sua filha Sabrina o convenceu a procurar tratamento em Belo Horizonte. “Caso a gente chegue ao consultório médico, faça todos os exames e o médico fale que não tem jeito mais, aí eu vou acreditar”, conta a filha do Sr. José Luiz.

Após realizar consultas com o Dr. Rubens Grochowski, no Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, ele passou por uma cirurgia para tratar o glaucoma e retirar a catarata. “Foi a melhor coisa que eu fiz: trazê-lo pra cá! Porque no dia eu falei: e aí, pai, como que tá? E ele disse: ‘Você não imagina como eu estou! Estou enxergando um monte de coisas que eu não estava vendo! Voltei a ver o céu azul!’”, comemorou José Luiz, depois dos exames e da cirurgia que mudou sua vida. “Que bom que você me trouxe!”, disse ele à filha.

 

Detecção precoce: fator fundamental no tratamento do glaucoma

 

Definido como um dos principais problemas oculares que levam à cegueira, o glaucoma – que acarreta a perda do campo visual de forma progressiva e, na maioria das vezes, irreversível – acomete atualmente um milhão de brasileiros acima dos 40 anos. Esse contingente chega a triplicar aos 70 anos, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), caso a doença não seja detectada precocemente.

Não são apenas os mais velhos, porém, que podem apresentar o sintoma de glaucoma. Isso pode acontecer a crianças, jovens e adultos. Por isso, é de extrema importância realizar periodicamente os exames no oftalmologista e ficar atento aos fatores de risco.

 

 

Fazer uma consulta com o oftalmologista pode salvar a visão de um paciente com glaucoma. A afirmação parece um exagero, mas só parece. Assim como as pessoas fazem um checkup constantemente, por que não incluir dentre os testes o exame de fundo de olho?

Porque o glaucoma, a princípio, não apresenta sintomas. O paciente não sente nada. “Ele vai ‘comendo pelas beiradas’. A pessoa vai perdendo a visão periférica e, ao longo do tempo, passa a enxergar como se fosse por meio de um telescópio”, explica Rubens Grochowski.

 

 

Com a ajuda das novas tecnologias, o glaucoma pode ser detectado mais cedo. “Com o uso de colírios, com o laser e, em último caso, após a cirurgia, é possível tratar o glaucoma, reduzindo a pressão intraocular e melhorando a qualidade de vida do paciente”, acrescenta.

 

Confira esta entrevista com o Dr. Rubens Grochowski sobre o assunto:

 

O Dr. Rubens Grochowski
é médico especialista
em Glaucoma do
Hospital de Olhos

Dr. Ricardo Guimarães
.Assista esta entrevista
com ele sobre o assunto:

 

Segundo Sebastião Cronemberger, médico titular do Departamento de Oftalmologia da UFMG e especialista em glaucoma congênito, essas técnicas atuam no sentido de baixar a pressão intraocular e controlar a evolução do glaucoma.

 

 

O perigo da automedicação

 

Em outros casos, no entanto, o glaucoma pode ser um problema adquirido, como, por exemplo, em jovens que fazem uso indiscriminado de colírios que contêm, em sua composição, corticoides. Posteriormente, eles aparecem com catarata e glaucoma. “Por isso é muito importante a consulta a um especialista antes de usar qualquer produto. Seu olho pode ficar mais claro, você pode se sentir mais confortável, mas estará pagando um preço alto por isso, pelo risco de catarata e glaucoma”, adverte o médico oftalmologista Rubens Grochowski.