Medicina do futuro: a oftalmologia aliada às novas tecnologias

Redação

Todos os dias surgem coisas novas. A tecnologia permite novas descobertas e  respostas e criar centenas de novas perguntas. E esses avanços acontecem também para facilitar o diagnóstico e para realizar intervenções avançadas e precisas na área da saúde.

Dr. Ricardo Guimarães, médico Oftalmologista, presidente do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, e presidente da mantenedora da faculdade Faseh, contou para a equipe do VPoF sobre os principais avanços e benefícios na oftalmologia para cirurgias oculares, aliada à tecnologia.

VPoF: Quais são os problemas de saúde ocular mais comuns entre a população?

RG: Os problemas oftalmológicos mais frequentes são os que estão relacionados a doenças oculares. Eles podem surgir devido a fatores hereditários ou genéticos e que provocam alterações na anatomia do olho. Existem também os que são causados por fatores externos, como a contaminação por bactérias ou vírus e, naturalmente, pela degeneração do organismo, provocada pela idade. 

No Brasil, as doenças oculares, responsáveis pela maior parte dos atendimentos feitos pelos oftalmologistas, são: erros de refração como a Miopia, Hipermetropia, Astigmatismo e a Presbiopia (também conhecida como “vista cansada”); a Catarata, o Glaucoma, a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), a Retinopatia diabética e a Conjuntivite.

VPoF: Quando a pessoa deve procurar ajuda?

RG: A melhor maneira de tratar problemas de saúde em geral é a prevenção. É importante que a pessoa faça consultas regulares. Além do conhecido “Teste do olhinho”, feito em bebês, as visitas devem ser regulares a partir dos dois anos de idade. Assim, pode-se evitar o agravamento de doenças oculares que, se identificadas tardiamente, podem ser a causa da cegueira irreversível. Principalmente no caso das crianças. É muito difícil que elas consigam relatar com segurança se estão enxergando bem ou mal. 

 

VPoF: Para quais doenças as cirurgias são indicadas? 

RG: As Cirurgias Oculares são indicadas para recuperar a boa visão do paciente. Algumas doenças não têm cura, então a cirurgia ocular é uma maneira de conter ou amenizar a complicação de certos quadros. Há dezenas de diagnósticos que podem indicar cirurgias oculares. As mais frequentes indicações são para a Catarata, a Cirurgia Refrativa para correção da Miopia, Astigmatismo, Hipermetropia e Presbiopia, as cirurgias de Retina e Vítreo, transplante de Córnea, Glaucoma, Ceratocone, além das estéticas e Plástica Ocular.

 

VPoF: Qual a complexidade e quais são os recursos mais avançados e precisos para a realização de Cirurgias Oculares?

RG: Há pouco tempo, era impensável que teríamos a capacidade de ajustar o olho em centésimos de milímetros, sendo possível corrigir cirurgicamente erros de refração como a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo. A cirurgia de catarata não era complexa, mas sua recuperação visual era mais lenta, desconfortável e demorada.

Hoje, diariamente, milhares de pessoas amanhecem com um defeito ocular. Elas realizam o procedimento cirúrgico durante o dia e vão dormir como a visão perfeita. Esse grande salto na correção da visão aconteceu graças ao desenvolvimento dos sofisticados equipamentos das cirurgias a laser.

Cirurgias oculares a laser remodelam a córnea. O ponto focal da luz é mudado permanentemente, para que os olhos funcionem como uma câmera perfeita. A luz passa a ser focalizada exatamente sobre a retina, sem a necessidade do uso de óculos ou lentes de contato.

O laser, neste caso um feixe de luz ultravioleta, é focado sobre a córnea para remover de forma seletiva uma pequena quantidade de tecido de sua face anterior. A sofisticação do processo está na possibilidade de programar o equipamento a laser de acordo com dados do perfil de tratamento do paciente que desejamos corrigir.

VPoF: O que mais a tecnologia trouxe de evolução para a área?

RG: A Oftalmologia se destaca por ter sido a primeira especialidade na Medicina a utilizar o laser com objetivo terapêutico e por promover o seu acelerado e constante desenvolvimento. De fato, o termo “laser” apresenta uma conotação de tecnologia avançada e futurística. Embora tenha sido conceituado, pela primeira vez, por Albert Einstein, no início do século 20, foi em 1960 que o primeiro laser foi construído. 

Como a inovação tecnológica na medicina é constante, na passagem para o século 21, foi desenvolvida uma nova tecnologia a laser, ainda mais sofisticada: o chamado FemtoSecond. 

Pela evolução tecnológica, a escolha do melhor laser para realizar o procedimento cirúrgico é tarefa complexa. Nossa opção foi pelo laser fabricado por uma companhia de grande reputação no meio oftalmológico, a Zeiss. Seu modelo VisuMax® é a opção dos centros oftalmológicos mais conceituados em todo o mundo. Esse laser permite aplicar uma técnica com o nome de SMILE (Small Incision Lenticule Extraction) para cirurgia refrativa e ReLEx (Refractive Lenticule Extraction) para a cirurgia de catarata.

Em função da grande precisão, o FemtoSecond pode ser usado também no implante de Anel Intraestromal para tratamento do ceratocone. Com o Laser FemtoSecond VisuMax® é possível criar o espaço onde o anel será implantado com a máxima precisão e na profundidade exata do tecido corneano.

A grande vantagem deste laser  é sua rapidez e segurança, com pulsos que são cerca de mil vezes mais rápidos que o Excimer Laser, permitindo, por sua vez, a criação de pulsos cerca de 400 vezes mais fracos. Em geral, a fase de aplicação do laser dura aproximadamente 30 segundos. 

A técnica SMILE merece destaque por ser a mais avançada e proporciona ainda mais segurança para a realização das cirurgias refrativas a laser

 

VPoF: Tais serviços estão disponíveis apenas na rede particular ou também na saúde pública? 

O Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, em Belo Horizonte, é o centro de referência e pesquisa Zeiss em Minas Gerais. A Zeiss é – há mais de 170 anos – referência mundial na produção de lentes e equipamentos ópticos. O nosso hospital está equipado com tecnologia para aplicação da técnica SMILE, com o uso da tecnologia VisuMax®, que não é oferecida na saúde pública.  

 

VPoF: Quais os próximos avanços podemos esperar para os tratamentos de saúde ocular baseados na inteligência artificial e demais recursos tecnológicos? 

RG: Acreditamos que nesta próxima década as cirurgias de catarata e refrativa serão totalmente executadas por Inteligência Artificial e Cirurgia Robótica. Hoje estes recursos são usados apenas parcialmente e com a presença do cirurgião.

Poucas áreas serão tão favorecidas pelos avanços da Cirurgia Robótica e Inteligência Artificial (IA) quanto à oftalmologia. O olho é um território muito especial para aplicação das ferramentas de IA que se serve mais facilmente de documentação fotográfica para produzir algoritmos de diagnóstico (detecção autônoma) e tratamento de doenças oculares. A condição mais conhecida, e uma das primeiras a ser estudada, foi a retinopatia diabética. Ela é silenciosa, pois acomete um grande número de pessoas e, se não tratada a tempo, pode levar a uma lesão definitiva e irreversível da visão. Do mesmo modo que o glaucoma. 

O Google, por meio da sua startup Verily, desenvolveu uma inteligência artificial que consegue identificar retinopatia diabética e edema macular diabético. Isso apenas ao analisar fotos de pessoas com sinais dessas doenças. É um programa gratuito de identificação da retinopatia em estágios do precoce ao avançado.

VPoF: No HOlhos quais os recursos tecnológicos mais avançados que estão sendo utilizados para tratamentos da visão?

RG: O uso da IA ainda é limitado em relação ao seu potencial. Seu uso é comum no estudo de lesões da retina, no diagnóstico do glaucoma e da Degeneração macular senil. Estes recursos já vêm embutidos em equipamentos de documentação especialmente da retina e do nervo óptico.

Na cirurgia, usamos robótica e IA em algumas partes da cirurgia refrativa com o laser FemtoSecond em casos de correção da miopia, astigmatismo e hipermetropia. Na catarata as fases de capsulotomia, que vem a ser abertura da cápsula anterior e depois na partição da catarata.

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