Dores de cabeça e a Síndrome de Irlen: desafios na vida profissional

Luana Rodrigues

Conquistar uma vaga de emprego, chegar à um cargo que você sempre almejou e se realizar profissionalmente. O sonho de muitas pessoas é crescer e se destacar na profissão e muitas vezes, para conquistar, é necessário muito esforço e persistência.

Ao longo desse percurso é comum encontrar algumas dificuldades. Lidar com os próprios desafios pessoais, como a timidez, autoestima e até mesmo questões físicas, como dores de cabeça e enxaquecas, que podem atrapalhar o dia a dia.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia, existem mais de 150 tipos de dores de cabeça, que afetam cerca de 80% da população mundial. Além disso, as cefaleias ficam em terceiro lugar nas queixas mais comuns das idas ao médico. Um problema grave que afeta principalmente o desempenho profissional.

 

Cefaleia ou enxaqueca?

As cefaleias e enxaquecas são facilmente confundidas. É preciso atenção, já que elas contam com sintomas diferentes e que fazem toda a diferença na hora do tratamento e na busca de solução para o problema.

A cefaleia tem como característica uma sensação de peso que acomete toda a região da cabeça. Já a enxaqueca é uma versão mais intensa e é caracterizada por ser uma dor pulsante em apenas um lado da cabeça.

As enxaquecas normalmente vêm acompanhadas de outros sintomas como a fotofobia, hipersensibilidade a sons e cheiros, além de náuseas e vômitos.

 

 

Dores de cabeça e a Síndrome de Irlen

A Síndrome de Irlen é uma condição que dificulta o uso pleno da visão e é caracterizado por dores de cabeça, cansaço em ambientes muito iluminados e alterações na orientação visuoespacial.

A combinação desses sintomas pode influenciar na sociabilidade e no crescimento pessoal e profissional dessas pessoas. Mas, será que existe um caminho para lidar com esses sintomas?

A SI é uma realidade que afeta grande porcentagem da população brasileira e mundial (prevalência de até 14%). Um dos grandes desafios é lidar com a baixa quantidade de informações que circulam sobre o assunto e a dificuldade em lidar com esses sintomas da maneira correta.

Grande parte dos portadores de SI, apresentam dores de cabeça e sensibilidade à luz entre os sintomas, o que é confirmado pela Diretora Clínica e Chefe do Departamento de Neurovisão do Hospital de OIhos, Dra. Márcia Guimarães. “Cerca de 85% dos casos que atendemos apresentam dores de cabeça. Isso acontece à medida que a pessoa é exposta a estímulos visuais. Esses estímulos, seja o tempo prolongado de leitura, barulho ou lugares com muita luz, geram uma sobrecarga sensorial, e aí aparecem as dores de cabeça ou fotofobia nesses pacientes” explica.

 

Desafios da hipersensibilidade

Essa percepção sensorial aguçada faz com que essas pessoas tenham ainda mais desafios no dia a dia. Por exemplo, o ambiente passa a ter uma influência muito maior sobre essas pessoas. Se elas estão em um lugar com muitas conversas ao redor, a atividade sensorial atua de maneira muito mais intensa.

Quando falamos em desafios profissionais, é comum, que durante testes de seleção, aquelas pessoas que apresentam bom desenvolvimento acadêmico, facilidade em interagir com outras pessoas, tenham maior destaque. Nos casos de SI, é necessário um olhar mais amplo para enxergar o verdadeiro potencial das pessoas.

Seja pela influência da luz do ambiente ou por conversas que acontecem em paralelo ao momento da entrevista e dinâmicas, tudo pode intervir  no desempenho do candidato. Saiba também como a luz pode influenciar a leitura nesses casos.

Isabela Almada, foi diagnosticada com SI há 8 anos. Mesmo com dificuldades durante o processo de alfabetização, ela nunca abriu mão da sua dedicação aos estudos, e conquistou a sua formação como administradora.

 

Isabela Almada, diagnosticada com SI, hoje trabalha com recursos humanos para “ajudar as pessoas a lidar com o mundo de outra forma” indo além das dificuldades e explorando o potencial de cada pessoa

 

“Eu tive muitas dificuldades na escola. Eu me esforçava muito, prestava atenção nas aulas, mas não conseguia ter um bom desempenho. Era frustrante! Uma coisa que me incomodava muito era barulho. Várias pessoas conversando, era um grande incômodo” conta.

Depois do diagnóstico, ela ampliou o seu olhar. A dificuldade em se socializar, era a resposta da sua sensibilidade, pois o seu corpo criava caminhos para lidar com cada situação.

Hoje, Isabela atua na área de recursos humanos e explica o que inspira o seu trabalho: “Eu quero poder ajudar outras pessoas que, eu sei que se muitas se empenham, se esforçam e não conseguem alcançar os seus melhores resultados. Já passei por isso, ainda passo, mas tenho uma paciência maior com o outro e reconheço cada esforço”.

Reconhecer as dificuldades dos outros é o ponto de partida para derrubar as barreiras em torno da SI. Conhecer o que cada pessoa enfrenta e entender quais são os seus limites e até onde ela pode chegar é fundamental. Esses desafios vão muito além do bom desempenho do profissional.

 

Conhecimentos compartilhados para identificar a Síndrome de Irlen

A Fundação H.Olhos e o Laboratório de Pesquisa Aplicada à Neurovisão (LAPAN) desenvolvem um trabalho de capacitação voltado para profissionais da saúde e educação. O curso DARV – Distúrbios de Aprendizagem Relacionados à Visão, tem duração de quatro dias e, em sua 33ª edição, já formou cerca de 6 mil profissionais de todos os estados do Brasil.

Os conhecimentos compartilhados no curso DARV permitem identificar, a partir da aplicação do Método Irlen, os distúrbios visuais causados pelo Estresse Visual. A 33ª edição do curso acontece entre os dias 23 e 25 de maio. Saiba mais aqui.