Como a luz artificial pode influenciar no funcionamento do seu organismo

Luana Rodrigues

Qualidade de sono, sistema visual, metabolismo. Entenda mais sobre os distúrbios que podem acontecer.

A iluminação possui papel muito importante no funcionamento do nosso relógio biológico. Células especiais em nossa retina são responsáveis por captar a variação da iluminação do ambiente e levar essa informação para uma parte do cérebro que organiza os relógios internos.

Cada dia mais presente em nossa rotina, a iluminação artificial pode ser utilizada com tanta intensidade ao ponto de ser comparada, ou até mesmo confundida, com a luz natural. Isso em razão da frequência de captação da chamada “luz fria” que os nossos olhos captam.

Um desses exemplos é a luz de LED branco, que apresenta um pico de luz azul comparável com a luz do sol ao meio-dia. Se você está pronto para dormir e acende alguma lâmpada de LED ou até mesmo utiliza o celular, o seu cérebro pode entender que não é o momento para dormir, e sim despertar, graças à qualidade espectral daquela luz.

As novas tecnologias de leitura (como tablet e celular) têm alterado o nosso Ciclo circadiano. É como se vivêssemos 24 horas com uma lanterna de LED apontada para o nosso rosto, estimulando proteínas intrínsecas das células ganglionares da retina. Assim, antes de dormir, essa lanterna altera os nossos ciclos internos”, explica Douglas de Araújo Vilhena, psicólogo e coordenador do Laboratório de Pesquisa Aplicada à Neurovisão (LAPAN).

A iluminação artificial não é sempre a grande vilã

As luzes artificiais podem ser grandes aliadas, em alguns países nos extremos do globo; especialmente no hemisfério norte, é comum que, durante o verão, a noite praticamente não exista, e, durante o inverno, mal se possa perceber a presença do dia.

 

Noites de verão com claridade e dias de inverno com escuridão são comuns na Noruega. Por isso, o uso da luz artificial contribui com o bem-estar da população.

 

Os extremos de dia e noite acontecem por causa da latitude e da longitude dos países nórdicos no globo terrestre. Com isso, é importante dar atenção especial à população desses lugares graças à relação da iluminação com o funcionamento do Ciclo circadiano.

Benefícios da iluminação artificial

É muito raro conseguir ver a luz do sol em determinados meses. Isso afeta diretamente a vida das pessoas, que começam a sentir mais cansaço, desânimo e podem até desenvolver doenças como a depressão sazonal.

Um dos meios de compensar a falta da luz natural é o banho de luz artificial, comum em países nórdicos.

Uma das soluções para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas é a utilização constante de iluminação artificial para o uso de terapias. Através de banhos de luz, como, por exemplo, a luz azul que indica ao organismo o momento de despertar.

A fim de compreender esse tipo de influência, Vilhena aponta como exemplo o time de vôlei da Universidade Federal de Minas Gerais. O professor Dr. Marco Túlio de Mello, pesquisador dessa equipe, tem utilizado no esporte a frequência da luz para alterar ativamente o relógio biológico. “Se eles vão jogar de manhã, às 9 horas os atletas se submetem a um banho de luz azul, com o intuito de acordar e dispor o corpo a uma temperatura ideal para a prática do esporte. Tudo é feito com equipamentos de proteção”, explica.  

Alguns moradores de um vilarejo na Noruega encontraram uma solução tecnológica para suprir a falta de sol. Confira mais detalhes nesta matéria do Fantástico!

É preciso limitar a exposição à iluminação artificial

Apesar dos benefícios, a iluminação artificial não pode ser usada ao extremo. É importante manter o equilíbrio do nosso relógio biológico, e o uso de tecnologias como tablet e celular pode acabar por confundi-lo e prejudicar o bom funcionamento do nosso organismo.

Durante a madrugada, não é recomendado acender as luzes da casa para ir ao banheiro. Quanto mais iluminado for o ambiente, mais o seu cérebro entende que é hora de despertar. O mesmo serve para ligar a TV ou mexer no celular.

Ao longo do dia, objetivando contribuir com o bom funcionamento do Ciclo circadiano, é importante adaptar os eletrônicos a fim de que sofram redução da intensidade da cor até o fim da tarde, momento em que o nosso cérebro precisa preparar-se para descansar, liberar a melatonina para que possamos finalmente dormir.

Alguns aparelhos eletrônicos já oferecem essa opção de adaptação da luz nas telas com a pretensão de que, até o fim do dia, o brilho seja reduzido, indicando ao nosso relógio biológico que é o momento de tornar menos intenso o ritmo das atividades.

O software F.lux, disponível para Windows ou iOS, coloca um filtro que impede a emissão de luz azul na tela, assim que o Sol se põe por completo. Aparelhos de celular com sistema operacional iOS não têm aplicativos com função parecida, mas usuários de Android podem instalar o Twilight, que aciona um filtro que bloqueia a luz azul em tablets e celulares.   

Quando observamos qual é o tipo de luz que os nossos olhos estão captando, passamos a compreender o que está ao nosso redor. A visão é responsável pela captura da luz que chegará ao nosso cérebro, que, por sua vez, é essencial para a organização do nosso relógio biológico e para nossa qualidade visual.

Entenda o nosso sistema visual com base na captação e filtragem da luz que entra pelos olhos.